A Revolução da Castelo de Castro

A Revolução da Castelo de Castro

 

A Av. Castelo de Castro no Conjunto São Cristovão tem aproximadamente 03 km e 180 comércios e residências, compreendida entre a Av. Perimetral e o Conjunto Palmeira.

O Canteiro Central da Avenida era um lixão a céu aberto. Montanha de sacos de lixo doméstico, resto de material de construção, móveis velhos, poda de árvores se amontoavam. A caçamba da prefeitura limpava diariamente, minutos depois todo o lixo estava lá de novo. O efeito era contrário, quanto mais limpava, mas lixo aparecia.

Os moradores e comerciantes faziam isso com a maior naturalidade, sem nenhum constrangimento nem sensação de que estavam fazendo algo de errado. Jogar o lixo no canteiro se tornou a coisa certa.

Para frear esse ciclo só se fazendo uma Revolução. E a revolução não se faz só com campanhas, discursos, carro de som na rua. Muito menos com multa e fiscalização, embora estas sejam importantes. Uma revolução precisa mexer com o sentimento, com a emoção. Como já dizia o profeta : “O que os olhos não vêm, o coração não sente”.

Na castelo de Castro tudo começou no dia 01 de julho com o mutirão para  humanizar  o canteiro, um grupo pequeno, aos poucos  a adesão foi se fortalecendo. Duas coisas caminharam juntas: a prática (o mutirão) e a teoria (o carro de som, a conversa comercio a comercio, a motivação). Quando o comerciante/morador começou a ver o resultado, ele entrou no jogo. Criou identidade: o “canteiro é nosso”. A partir dai um fiscaliza o outro e a revolução começa.

Jogar lixo no canteiro se tornou algo inaceitável. Quem desejar fazer se sentirá constrangido e sofrerá uma pressão social gigantesca, não compensa.

Esse processo de mobilização e organização popular é imprescindível para a limpeza da cidade. Sem o comprometimento coletivo da população, qualquer estratégia se tornará vã. É fundamental se pensar em tecnologias que envolvam grupos locais de controle dos resíduos, comitê de bairro, conselho de quarteirão e tudo mais que leve a população a se sentir comprometida para  deixar seus espaços limpos.

Pra isso estamos a construir a PALMACOOP, nossa cooperativa de Gestão Ambiental. Mas, isso fica para um próximo capítulo.